“Mais importante não é o lugar, mas o estado de ânimo, pois o ânimo não se torna escravo de nenhum lugar”. Sêneca
Você provavelmente já se encontrou em uma situação parecida: pegou a estrada ansioso com grandes aventuras, certo que os problemas e as insatisfações ficariam para trás, a quilômetros de distância. No entanto, entre um “rolê” e outro a mente insistiu em tagarelar sobre as coisas que ficaram em casa, sobre os problemas no trabalho ou as dúvidas sobre o futuro. Surpresa! Tudo aquilo que você queria distância parece ter vindo em um compartimento especial no bagageiro.
Bom…eu tenho uma notícia boa e outra ruim. A boa é que você não é a única pessoa que passou (ou passa) por isso. A ruim é que mudar de ambiente, apenas, não vai resolver. Seja em um sítio pertinho de casa ou no Alaska, se você não for capaz de controlar os seus pensamentos a única coisa que você vai aproveitar da viagem são as fotos para o Instagram.
Sêneca, um célebre filósofo da Antiguidade, já havia notado isso há mais ou menos dois mil anos. Em uma carta filosófica (ou epístola, como diriam os especialistas) endereçada ao amigo Lucílio[ chamada “Da Viagem” ele observa esse fato e argumenta que viajar não deve ser visto como um remédio para os males da alma, pois o seu estado interior tem o poder de “contaminar” as coisas à sua volta.
“Pensas que só a ti aconteceu e te admiras como se fosse uma coisa nova o fato de em tão longa peregrinação e em tanta variedade de lugares não teres tirado a tristeza e a gravidade da mente? Deves mudar o ânimo, não o céu. Mesmo que atravesses o vasto mar, os vícios te seguem e te perseguem aonde quer que vás” Sêneca.
É bem verdade que sair por aí pode ajudar de alguma maneira, especialmente se o seu ambiente corriqueiro não é saudável. Nesses casos, variar o local pode ser extremamente benéfico. E, além disso, conhecer novos lugares é importante para que ampliar sua percepção evitando que você fique confinado em um universo pequeno e insosso.
Porém, é preciso compreender também que, apenas arrumar as malas e reservar o melhor bangalô numa praia paradisíaca de Fernando de Noronha não basta. É preciso enfrentar aquilo que se agita em seu interior.
“Vai daqui para lá a fim de sacudir o peso que te oprime e que volta mais grave devido à sua própria agitação; assim como em um navio a carga imóvel pesa menos e a que está disposta de modo desigual se move de um lado para outro, fazendo afundar o flanco que mais pesa. Qualquer coisa que faças a fazes contra ti e no mesmo movimento te prejudicais, pois carregas um homem doente.” Sêneca
Tome o seguinte exemplo: se você tem medo de fantasmas, esse medo o acompanha em Ouro Preto-MG ou no Polo Norte. Até porque, até onde eu sei, fantasma é mais resistente ao frio que uma pessoa viva…
O fato é que os condicionamentos mentais de cada um podem assombrá-lo de forma muito eficaz. A proposta de Sêneca é que, antes de simplesmente apostar em grandes jornadas, procure “navegar para dentro” e estabilizar sua “embarcação”…
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